
Numa noite, às escuras descem um rio
A Bailarina e o Barqueiro.
Vão ouvindo os conselhos
Do seu amigo Gato:
_ Evitar as armadilhas
Das atraentes "lhas" no percurso.
Nelas, o perigo de se ficar preso!
Uma, se chama _ Plena;
com suas ruas vazias,
círculos de dogmas, seus muros de conceitos
que aprisionam o pensamento, o passo
Em seu levar concêntrico, faz repetir,
repisar as mesmas trilhas.
Outro perigo_ é a Ilha das mais Exatas Medições.
O Gato pondera: Quimeras...
A Ilha das Máscaras:
Muito bem cuidadas, ostentadas
pelos transeuntes orgulhosos, de suas ruas impermeáveis.
Há ainda_ a Ilha das Palavras Fáceis,
Onde os seus habitantes, de face ingênua,
alimentam-se do desejo de chegar aonde querem
a qualquer preço...
Em um paraíso que existe só no futuro.
Não se pode mudar o sentimento de poder:
tão destrutivo deste lugar.
_ Nem as Maravilhosas Máquinas,
também não poderão tornar melhores
os seres humanos, por lá...
Se entristece o Gato.
Do céu interior provém mensagens
A indicar caminhos
_ Ensina a Bailarina:
"As Crianças são guias por excelência!
Porque sabem _ Brincando, aprender ser felizes."
Talvez sejam ouvidas...
No escuro céu da nova era
Podem-se ver as projeções, que configuram a alma humana.
Um Anjo espera
Que se dêem conta, de sua presença.
Para traduzir as cartas imaginárias,
que os engenhosos não sabem ler.
Mas, pode bem acontecer,
um simples Barqueiro compreendê-las:
Instruído pelo vento.
_ O espírito-pensamento, ligeiro:
traduz as mensagens que o Barqueiro desenha;
como num Atlas _ As cidades perdidas
As enseadas distantes, ou as ilhas que verdejam;
habitadas por Ninfas, outras por terríveis Gigantes...
Seguindo no rumo do levante
A estrela solitária da manhã _ os acompanha.
Seu fulgor incomparável
lembra-lhes da “Esperança”.
Mas, só a alcança quem
sabe o caminho para o coração do mundo
Desenhado na filigrana da alma das coisas.
E amanhecem sobre o sonho
Esquecidos de si...
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